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    por Márcia Alves

 

 

Etanol importado deverá ser  taxado

Depois do recorde de importação, produtores propõe taxação de 17% para equilibrar mercado.

 

Apesar de a produção nacional de etanol ser suficiente para abastecer o mercado interno, as importações do produto cresceram mais de 400% no primeiro trimestre deste ano. O Brasil comprou 721 mil m³ de etanol nos três primeiros meses de 2017, contra 143 mil m³ no mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustívieis (ANP).


Atualmente, o maior fornecedor de etanol para o mercado brasileiro é os Estados Unidos, por causa dos preços mais baixos. Enquanto no Brasil o produto gerou ao longo da moagem da safra uma rentabilidade menor do que o açúcar, nos Estados Unidos a colheita recorde de milho favoreceu um aumento da produção de etanol.


Outro fator que torna mais vantajosa a importação é a redução do frete marítimo, que caiu mais de 20% desde o ano passado.


Foram esses fatores que pesaram para que o Nordeste, a região do país mais deficitária em etanol, liderasse as importações do etanol norte-americano.


O Nordeste tem uma demanda anual de 2,5 bilhões de litros de etanol anidro, mas produz apenas 1 bilhão. Para o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, a importação de etanol, que sempre foi uma opção para o país no período de entressafra da cana, passou dos limites nos últimos meses.


Segundo Pádua, também influenciou no aumento da importação a atuação das distribuidoras de combustíveis. O problema, a seu ver, é que esse cenário desestimula a produção nacional do produto. Embora ele acredite na redução das importações de agora em diante, em razão da safra, defende a taxação de 17% do etanol importado.


Um dos argumentos que reforçam a taxação é a diferença entre a sustentabilidade do etanol brasileiro e a do norte-americano.


Um estudo da Unica apontou que a emissão de CO2 no etanol de milho é maior que a do etanol de cana. “A contrapartida seria uma penalidade, a taxação do produto”, diz Pádua. A proposta conta com o apoio do Ministério da Agricultura, mas a palavra final é da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que se reunirá no final de julho para deliberar a questão.


A discussão em torno deste assunto acontece em um momento importante para o setor e para o Brasil. “O governo tem defendido a construção de uma nova política de expansão dos biocombustíveis, que contribuirá para o cumprimento das metas ambientais brasileiras, o RenovaBio. Nesse âmbito, a tarifa deverá valorizar a produção e o comércio do biocombustível no Brasil”, diz Pádua.


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